Ssabe quem realmente odeia I.A's? Reguladores de seguros!

Ssabe quem realmente odeia I.A's? Reguladores de seguros!

Marco Antônio
Marco Antônio·01 de setembro de 2026·Atualizada em: 01 de setembro de 2026

Na plataforma de avaliações corporativas Glassdoor, existe um grupo de profissionais que odeia a inteligência artificial mais do que qualquer outro.

"Forçar a IA a ponto de pedir aos humanos que não usem seus próprios pensamentos e cérebros é muito desanimador", diz uma das avaliações. "Parem de empurrar a IA para todo mundo", desabafa outra. E há também esta: "Os aplicativos de IA que esta empresa usa são puro lixo."

Quem escreve essas críticas não são jornalistas ou professores, mas sim reguladores de seguros. Um levantamento recente do Glassdoor revelou que, quando esses profissionais mencionam a IA em suas publicações, eles são críticos em impressionantes 98% das vezes — o suficiente para lhes render o título de maiores 'haters' da IA no mercado de trabalho.

A queixa central é clara: líderes obcecados por tecnologia estão forçando uma IA falha sobre as equipes e seus clientes. E quando a máquina erra, os reguladores dizem que sobra para eles limpar a bagunça muito real e humana que fica para trás.

Peguemos o caso de Ahmad Jackson. Cerca de um ano atrás, ele trabalhava no departamento de sinistros de uma grande seguradora que decidiu usar a IA para o registro inicial de perdas. A promessa era ser uma bênção para funcionários e segurados, agilizando casos simples e repassando os complexos para pessoas reais.

A realidade foi bem diferente. Jackson e sua equipe enfrentaram uma avalanche repentina de sinistros classificados incorretamente. Ele começou a se deparar com "alucinações" da IA nos resumos dos casos e, quando repassava esses erros para os clientes ou advogados sem perceber, era ele quem arcava com a fúria do outro lado da linha. Ele pediu demissão pouco tempo depois. "A IA está errando as coisas", disse Jackson. "E está jogando mais trabalho nas costas dos reguladores."

"Existe uma fadiga de IA", resume Geoffrey Conrad, executivo de sinistros no Alabama. "Estamos exaustos com a quantidade de IA que estão nos empurrando goela abaixo."

Até o economista-chefe do Glassdoor, Chris Martin, se surpreendeu com esse nível de rejeição. Ao analisar os dados, a conclusão foi dura: a profissão está passando por um momento de acerto de contas. O setor tem visto uma queda vertiginosa no emprego — as vagas de nível básico despencaram 50% recentemente, e a tecnologia é apontada como a força matriz por trás desse declínio. Startups e grandes seguradoras estão investindo milhões para "reinventar" o mercado, substituindo interações humanas e inspeções presenciais por chatbots e análises de imagens feitas por IA.

Empresas como a Lemonade, que prometem substituir a burocracia por robôs, já automatizaram o atendimento inicial em 96% das vezes. O discurso corporativo é que a automação permite que os funcionários foquem sua empatia, cuidado e experiência nos casos mais complexos. Porém, quando o trabalhador sente a sombra das demissões se aproximando, o ceticismo em relação a produtos medianos sendo impostos à força dispara.

Na prática, a falta de confiança na tecnologia tem base na rotina. Sandy Avina, consultora do setor, explica que um simples borrão em um documento médico pode causar uma alucinação na IA e resultar em um pagamento incorreto. E, no fim, o cliente sempre assume que o erro foi do humano. Para tarefas burocráticas simples, como estender o aluguel de um carro, os reguladores admitem que a IA ajuda. Mas, como diz Conrad, a IA é apenas uma ferramenta e "nunca deveria receber as chaves" do negócio.

Muitas pessoas veem o regulador de sinistros como um urubu rondando após uma tragédia. Conrad entende isso, mas defende que um bom profissional é genuinamente empático e determinado a ajudar o segurado a receber o máximo possível. Ele sabe disso por experiência própria: há 25 anos, sua própria casa pegou fogo e ele perdeu tudo.

"Se tivessem me dito que alguém apenas viria tirar fotos, e que um orçamento seria gerado por IA com base nelas, eu provavelmente teria enlouquecido", confessa. "Eu precisava de alguém para garantir que eu estava bem, que minha família estava segura. A IA pode ser útil, mas não quando é usada como um substituto para a humanidade. Essa é uma estratégia perigosa."

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Sobre o autor

Marco Antônio
Marco Antônio32 anosDev. Full Stack/ Editor Chefe

Desenvolvedor Full Stack Jr. que atuou por anos como analista de games indies e AAA. Editor chefe responsável pela curadoria de artigos para a Mangue House.

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