"Diga a ele que ele é um Pedaço de M#%$@!" Nova divisão de IA gera caos interno

"Diga a ele que ele é um Pedaço de M#%$@!" Nova divisão de IA gera caos interno

Marco Antônio
Marco Antônio·15 de junho de 2026·Atualizada em: 16 de junho de 2026

A semana passada foi movimentada na sede da Meta, com um dos grandes ocorridos sendo a interrupção de um evento ao vivo direcionado aos funcionários da empresa. Durante essa explosão, um dos funcionários reclamou de ser a "v&!%# da empresa" em um áudio vazado a alguns veículos de notícias. O indivíduo ainda pediu para que os responsáveis pela chamada escrevessem a um determinado executivo da Meta AI e dissessem que ele é um "pedaço de m#$!@!".

Após esta explosão de emoções e profanidades, um dos apresentadores só pôde cobrir o rosto com as mãos, de acordo com testemunhas presentes na videochamada. Os palestrantes não puderam ser contatados para comentar o ocorrido; no entanto, os dois líderes deram continuidade à apresentação técnica "normalmente" após pedirem para que os participantes silenciassem seus microfones, embora os funcionários tenham comentado na transmissão sobre o início "apimentado" do evento.

Mas não estamos falando do ocorrido apenas para fofocar sobre os acontecimentos internos da empresa de Mark Zuckerberg, mas sim para falar da frustração crescente que vem tomando conta da empresa e de suas unidades de IA. O time responsável pela implementação de um ambiente interno de IA (Applied AI) foi formado em março pela Meta, com foco e objetivo de auxiliar o trabalho dos pesquisadores nos Laboratórios Meta de Superinteligência.

Em informações fornecidas por três empregados do laboratório, a insatisfação pela maneira como a Meta estruturou a unidade de mais de 6.500 profissionais — entre engenheiros e gerentes de produto — é generalizada! Cada um falou separadamente e pediu para que suas identidades não fossem reveladas, pois não tinham autorização para falar com a mídia.

"É literalmente o Gulag! Você possui zero propósito de vida de repente e contato mínimo com qualquer outra pessoa, nada além de ter essas tarefas semana após semana."

Outro funcionário descreve como a dificuldade dos testes e prompts de exercícios diminuiu drasticamente, indo do desenvolvimento de software para simples quebra-cabeças que testam a capacidade de solução de problemas da IA da Meta e de outras companhias. Os novos projetos são maçantes e quase todos os funcionários parecem infelizes com a mudança. Um terceiro funcionário finaliza dizendo que o trabalho se tornou uma "tortura para a alma".

A baixa moral não está apenas na unidade de Applied AI, no entanto. Trata-se de uma insatisfação generalizada na empresa. A recente reestruturação focada em IA, que levou ao desligamento de 10% da força de trabalho — ou 8.000 funcionários — no mês passado, gerou trabalho extra e aumentou a carga de estresse daqueles que continuaram em diversas divisões, incluindo a engenharia de data centers e o Instagram.

Outra grande revolta interna dos funcionários tem sido o combate a medidas tidas como intrusivas, como, por exemplo, a iniciativa de monitorar os cliques do mouse e as teclas pressionadas para gerar dados de treinamento de IAs. Mais de 1.600 funcionários assinaram uma petição contra a prática e, de acordo com fontes, a empresa recuou levemente, permitindo que os empregados peçam intervalos na coleta de dados de até trinta minutos ou isenções específicas.

Não são apenas os funcionários base que têm sofrido com as mudanças da empresa. O Chefe de Produtos da Meta, Chris Cox, falou sobre o ambiente corporativo "difícil" e "brutal" que foi criado pela "insanidade desta empresa" nos últimos meses. Cox aplaudiu os funcionários do Instagram por conseguirem atender a cerca de dois bilhões de usuários diariamente e entregarem novos produtos durante o que ele comparou a "correr uma maratona no meio de uma chuva de granizo, e então, de repente, seu colega de equipe é substituído e nós estamos gravando você".

Ele diz querer descobrir como ele e outros líderes podem se conectar novamente com a empresa, sem criar falsas ilusões sobre o poder da IA. Ele declarou:

"Não é Deus, nem mesmo o diabo. E não é nem de longe tão boa quanto você imagina, mas também não é tão ruim quanto se imagina. E muda toda semana... e também não faz ideia de que dia da semana é hoje!"

Em um memorando interno visto por alguns veículos, o CEO Mark Zuckerberg reconhece que as recentes mudanças organizacionais causaram angústia em toda a Meta. "Dada a complexidade dessas mudanças, cometemos erros e quase certamente cometeremos outros", escreveu. Ele reiterou o seu compromisso de não realizar mais nenhum layoff em massa este ano.

Seus planos envolvem limitar o número de funcionários por gerente (que havia inflado para a proporção de 50 para 1 na equipe de Applied AI), aumentar o orçamento para eventos de equipes e realizar um grande hackathon planejado para o mês que vem, a fim de unir a companhia.

O CEO também tocou diretamente no assunto da suposta situação abismal do departamento de Applied AI, sugerindo que a unidade é um ponto de passagem, não o destino final. Mark afirma ser um trabalho crítico para o avanço dos modelos e que permite que pessoas talentosas contribuam, enquanto a empresa cria novos cargos em outras áreas da Meta nos próximos meses.

Porém, na prática, os engenheiros selecionados para trabalhar na unidade possuem apenas duas escolhas: se unir à equipe ou deixar a empresa — uma exigência incomum para talentos técnicos de alto valor no Vale do Silício. Alguns dos funcionários recebem apenas duas tarefas por semana, onde devem gerar complexos desafios de programação para ajudar os cientistas a treinarem e avaliarem a performance dos mais avançados modelos de fronteira.

Tentando acalmar os ânimos, Zuckerberg finalizou seu memorando destacando que, diferentemente de outros laboratórios, "automatizar o trabalho" não é o foco principal da Meta. O objetivo final é construir produtos que vão desde óculos inteligentes até agentes de superinteligência pessoal, garantindo que a Meta seja o melhor lugar do mundo para que pessoas talentosas causem impacto.

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Sobre o autor

Marco Antônio
Marco Antônio32 anosDev. Full Stack/ Editor Chefe

Desenvolvedor Full Stack Jr. que atuou por anos como analista de games indies e AAA. Editor chefe responsável pela curadoria de artigos para a Mangue House.

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