Conta alta da IA: Crescimento de data centers faz dobrar o uso de usinas fósseis

Conta alta da IA: Crescimento de data centers faz dobrar o uso de usinas fósseis

Marco Antônio
Marco Antônio·25 de agosto de 2026·Atualizada em: 26 de agosto de 2026

Um novo relatório divulgado nesta terça-feira pela Global Energy Monitor revela que a quantidade de energia gerada por gás natural em desenvolvimento exclusivamente para abastecer data centers nos Estados Unidos quase dobrou em menos de um ano. Os dados ilustram a forte dependência das empresas de tecnologia na construção de centrais privadas de combustíveis fósseis para atender à crescente demanda energética da inteligência artificial.

A pesquisa aponta que a fila de projetos de gás — que inclui os anunciados, em desenvolvimento ou em construção — saltou de 97 gigawatts (GW) em janeiro de 2026 para mais de 189 GW em meados de 2026. Este crescimento é exponencial se comparado aos apenas 4 GW rastreados no início de 2024.

O relatório destaca que o desenvolvimento de energia a gás nos EUA está se tornando diretamente ligado à expansão dos data centers. Para contornar os longos prazos de conexão à rede pública, os construtores de data centers estão optando cada vez mais por instalações privadas de energia, conhecidas como centrais "atrás do medidor" (behind-the-meter). Esta abordagem também visa evitar o repasse de custos elevados aos consumidores finais. O governo Trump tem incentivado esta prática, introduzindo um compromisso voluntário assinado por empresas como Microsoft, Meta, Google e OpenAI.

No entanto, esta estratégia acarreta um custo climático significativo. Muitas das instalações utilizam turbinas ineficientes, aumentando as emissões. Algumas dessas centrais têm permissão para emitir mais gases de efeito estufa anualmente do que muitos países de pequeno e médio porte.

O boom dos data centers fez com que os EUA superassem novamente a China como o país com mais projetos de gás em desenvolvimento. Em contraste, o desenvolvimento de data centers na China está focado em energias renováveis, especialmente solar e hidrelétrica, frequentemente localizadas em áreas rurais com excedente de produção. Especialistas apontam que a escolha deliberada do governo chinês por renováveis visa garantir a independência energética.

Embora a opção dos EUA pelo gás possa fazer sentido economicamente a curto prazo e para uma implementação rápida, especialistas alertam que o país pagará um preço a longo prazo em termos de emissões e falta de investimento no seu próprio setor de energia limpa.

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Sobre o autor

Marco Antônio
Marco Antônio32 anosDev. Full Stack/ Editor Chefe

Desenvolvedor Full Stack Jr. que atuou por anos como analista de games indies e AAA. Editor chefe responsável pela curadoria de artigos para a Mangue House.

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