
A matemática do lucro: O desespero das empresas para equilibrar o uso de tokens de IA

Enquanto gigantes do Vale do Silício como Meta, Uber e Salesforce já demonstram preocupação pública com os custos exorbitantes de ferramentas de inteligência artificial gerativa — chegando até a impor limites de uso para suas equipes —, outras empresas estão nadando de braçada e vendo suas contas no azul.
Na empresa de software 8x8, por exemplo, os funcionários usam o Claude da Anthropic para redigir e-mails, analisar feedbacks de clientes e escrever códigos de programação. O resultado? A empresa estima ter economizado impressionantes US$ 5 milhões em custos anuais nos últimos 18 meses, simplesmente cancelando assinaturas de dezenas de outros softwares que se tornaram obsoletos graças à IA. Segundo Joel Neeb, executivo de operações da 8x8, a conta anual do Claude está "muito abaixo" do valor economizado, o que tem deixado o diretor financeiro da empresa com um belo sorriso no rosto.
Mas o que estamos presenciando nos bastidores não é apenas um mar de rosas, e sim o nascimento de uma nova e caótica obsessão na indústria da tecnologia: a chamada "Tokenomics", ou a economia dos tokens (a unidade de medida que representa a quantidade de conteúdo que uma IA analisa e gera).
Com empresas despejando centenas de milhões de dólares em IA, o uso desses tokens está saindo do controle. O CEO do Royal Bank of Canada revelou recentemente que o uso de tokens em sua empresa saltou 500% em apenas seis meses. Na Cisco, onde um terço dos funcionários usa um chatbot interno diariamente, o consumo está "ficando muito louco", nas palavras do próprio CEO. Em reuniões de resultados realizadas entre abril e maio, cerca de 300 empresas discutiram ativamente as preocupações com os gastos em tokens — um salto gigantesco se comparado a apenas 93 menções no mesmo período do ano passado.
A dor de cabeça corporativa é real. Os preços flutuam constantemente, novos e mais caros modelos de fronteira são lançados todos os meses, e os executivos estão desesperados tentando equilibrar os orçamentos. Alguns chegam a buscar sistemas que escolham automaticamente a IA mais barata para responder a cada prompt digitado.
Por outro lado, há quem mande os funcionários pisarem fundo no acelerador, sem medo da conta chegar. A marca de roupas nova-iorquina Baseball Lifestyle 101 tomou uma decisão ousada: orientou cerca de 50 de seus principais gerentes a gastarem o equivalente a 20% de seus salários em tokens de IA todos os meses!
A aposta parece uma loucura financeira, mas está rendendo cifras colossais. Bill Rom, cofundador da marca, afirma que o custo mensal com IA pode passar dos US$ 100.000 até o final do ano, mas o investimento se paga quase instantaneamente. O Claude recentemente os ajudou a fechar um pedido de US$ 1 milhão ao identificar, em questão de minutos, que um varejista estava com baixo estoque de uma bermuda popular. "Isso é um dia e meio de trabalho que agora acontece em uma ou duas horas, o que pode me render oito dígitos de receita adicional em 12 meses", celebrou Rom.
No final das contas, seja economizando milhões cortando softwares antigos ou gastando centenas de milhares para gerar milhões em vendas, a adoção da IA está forçando as empresas a repensarem suas métricas. Na 8x8, todos os 1.800 funcionários são encorajados a verificar um painel diário que mostra quem está usando mais a IA. O objetivo não é punir quem gasta muito, mas garantir que nenhuma equipe fique para trás nesta nova corrida do ouro tecnológico.
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Sobre o autor

Desenvolvedor Full Stack Jr. que atuou por anos como analista de games indies e AAA. Editor chefe responsável pela curadoria de artigos para a Mangue House.
